Tu

        Te conheci da forma mais banal possível. Logo de primeira nem dei muita atenção, sinceramente, tava preocupado com outras coisas. Mas logo depois de umas poucas palavras trocadas tive que fingir que não fiquei impressionado. Como um ser com aquela estatura (tá, nem é tão baixa assim) e tamanha magreza poderia me encantar tão rápido? Falei pro nosso amigo que te achei legal mas nem lembrava do teu nome. Ele falou e eu nunca mais esqueci. Fiquei adiando e enrolando aquele convite naquela rede social por dias, pra não parecer um desesperado. Coisas da minha cabeça ranzinza, eu sei.
        E caramba, como fluiu. Mas nada disso me impressionara. A minha velha curta experiência tenta me aconselhar para que eu tente não enganar-me com coisa pouca, nem achar essa pouca coisa muita. Pessoas legais são legais com todo mundo, não sou especial o suficiente para que seja tratado diferenciadamente. Ou ao menos é isso que penso. E por mais que eu tentasse me convencer de toda essa bobajada que eu acabei de falar, não consegui. Passei boa parte daquela minha volta pra casa pensando em ti. E esse é um problema dos apaixonados: Por mais que tente mudar, tornar-me uma pessoa fria, pois somente desse jeito eu penso ser a forma de não se doer com as decepções que a vida traz, contigo eu não consigo.
        Essa parede, cerca, que muitos tentam construir pensando em se isolar para que eventualmente não se machuquem é sempre ultrapassada por aquela teimosa planta que insiste em nascer fora dos seus limites e que acaba por entrar pelas as pequenas frestas de esperança que deixamos no meio da construção. Você irá regar aquela flor, cultivá-la e fazer com que fique mais linda e ela lhe recompensará com a sua beleza todos os dias. Mas ela murchará um dia. Ou porquê você não era nem nunca foi destinado a ser seu dono ou pois outro veio e simplesmente arrancou-a de ti. Esse é o tortuoso caminho das paixões. Já deu pra perceber que não sou nenhum daqueles românticos irrealistas ao qual idealizavam (e ainda idealizam) tanto seus amores. Sou quase um abolicionista do amor, sim. Sentimento idiota esse que nos faz ir dos céus às ruínas com um trocar de olhares mal dado.
         Porém, e sempre há um porém, tu me faz querer esquecer tudo isso. Olha só, estou até escrevendo por tua causa! Importunando a paciência de alguém que um dia vai ler isso e dizer: “do quê que ele tá falando?”

         Sim, me mudaste. Sem nem perceber.

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