Insuspeitável

Eu ainda acredito nas pessoas.

Não sei se existem muitas pessoas assim nesse cosmo, mas realmente tenho esperanças que estejam vagando por aí. Não sei se também são deste modo por ingenuidade ou se só realmente lhes faltam experiências desconstrutoras.

Meu ponto é: Acredito que uma pessoa é integralmente boa até que ela me demonstre o contrário. Desde o momento que a conheço e afeiçoo-me passo a crer que muito pouco provavelmente a mesma me decepcionará um dia. Em muito verdade, nem cogito essa possibilidade. A partir do instante que sou fisgado, seja por uma possível futura amizade, um relacionamento ou por um simples bom atendimento no supermercado em que a funcionária que passa as compras no caixa me trata com gentileza, eu acredito em sua bondade. Julgo que ela estará sempre ali presente para o que precisar, para enfrentar os percalços e aproveitar os contentamentos.

Possivelmente essa seja essa uma das carências que a contemporaneidade nos incutiu. O mantra que: somos todos mesquinhos, egoístas e narcisistas. Quando algo foge a essa regra somos surpreendidos, as expectativas são quebradas e achamos aquilo admirável.

E isso é um problema. Pelo menos para este que vos escreve.

Porque querendo ou não, esse estereótipo de que ninguém está aí para ninguém existe por algum motivo e na maioria das vezes está correto. E, no meu caso, quando alguém ganha a confiança de sua admirabilidade e depois simplesmente a esmigalha em infindáveis pedaços é uma situação dolorosa. Não sei lidar com decepções. No instante que sou desapontado perco o raciocínio, minha lógica se desfaz e atribuo a culpa a mim mesmo por ter pressuposto que aquele alguém estava à prova de erros.

E de certo modo é uma idiotice particular mesmo. Desde pequeno lembro de meu pai avisando que deveria sempre tomar cuidado pois a maioria das pessoas só esperaria o menor deslize para passar-me a perna. Estava certo, o coroa. Mas ele mesmo ia de encontro com esse ensinamento pois o próprio era muito bondoso, ainda que tenha também caído na regra de desapontar-me (mas para ele faço vista grossa e finjo que nada aconteceu). Aspecto reforçado ainda pela criatura mais majestosamente indescritível a qual chamo por mãe.

Privilegiados são os que assumem que todos são ruins até que se prove o oposto. Os hobbesianos convictos (na verdade Plautinanos, não que importe) que consideram seus iguais como lobos – e em um instinto de auto-preservação agem de igual modo – têm uma imunidade maior contra desapontamentos. Como se saíssem diretamente do útero vacinados contra decepções. Não o sou, infelizmente.

Continuo acreditando nas pessoas.

E nenhum momento quis dizer que sou ou me sinto superior por disso. Até porque no próprio contexto que descrevi isso é em verdade uma fraqueza. Mas por também ser mesquinho, egoísta, narcisista, invejoso (…) continuo partindo da premissa de que os outros não o são pois e, enquanto o tal do encantamento não ser desconstruído, tento espelhar-me naquilo para tornar-me, um pouco que seja, melhor.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s