Ser odiado é mais fácil que ser amado

É incontestável.

A partir do momento em que alguém o odeia, não há muitas possibilidades que pode-se seguir. Até pode tentar se recompensar, reparar o erro que for, mas nada muito além disso. Ser odiado é simples, bruto, seco. Não traz nenhuma grande responsabilidade, no máximo a exigência que se odeie reciprocamente. O que é geralmente é feito, mas longe de ser uma obrigação. Quem odeia cumpre com a maior parte dos encargos. Faz isso evitando ao o máximo o contato, mantendo a maior distância possível e sempre se justificando e para outrem o motivo do ódio. Mantendo sempre o rancor aceso e vivo em seu coração.

Ser amado, sim, traz responsabilidades.

Parte, primeiro, da incompreensão que, pelo menos eu sinto, quando há a descoberta que alguém o ama. Seja pela simples percepção disso ou por um meio mais direto, com a famosa clássica de final de filme clichê. Não entendo como alguém pode cogitar declarar que sente algo tão grandioso por mim sendo que eu mesmo sinto preguiça de ter de lidar com minhas idiossincrasias. Passado isso, a carga de problemas que surge é gigantesca. Seja advinda de uma amizade, com os aniversários a ir e presentes a comprar, assim como lidar com os momentos de amargura e tristeza no qual se é usado como conselheiro para problemas que nem você mesmo sabe lidar. Seja por familiares que por o amarem tanto, sempre querem estar por perto, saber de tudo e exigem que você sempre seja o melhor em tudo, para eventuais posteriores comparações e vangloriações em relação ao filho do vizinho.

Seja por um relacionamento, no qual a maior parte das suas ações têm de ser pensadas de acordo com os efeitos não para si, mas para ambos. E, ainda que dentro da sua lógica ela seja aprovada após passados esses filtros, é obrigado a lidar com o descontentamento do outro se, para ele, aquilo não saiu de acordo com os parâmetros dentro do que esse pensa ser correto.

Ser amado é um peso. Dá dor de cabeça e faz surgir rugas.

Mas existe um porém (e quando é que não há?)

Amar, o amar verdadeiro, é livre de exigências. Você não ama por um motivo específico. Em bem verdade, não há nem a necessidade de motivos para fazê-lo. Na maioria das vezes é inexplicável.

Você não ama sua mãe por ela fazer sua comida e ser para sempre seu porto seguro. Você a ama por ser sua mãe e esse sentir é tão ilógico que não caberia em nenhuma equação. Não se ama um amigo pela falsa pretensão de que ele vai estar lá sempre pra lhe acompanhar. Ele nada mais é do que um estranho que se achou por bem manter perto de você.

A pessoa amada não é rotulada assim por uma reunião de fatores com os quais se chega à conclusão que se ama. É surpreendentemente como, dentro do egocentrismo do pensamento humano, que acredita entender tudo, ele é inexplicável.

Amar é tão simples e puro que mais do que compensa os compromissos que ser amado gera. E não traz os questionamentos que odiar faz surgir. Ama-se e isso basta.

“Eu o odeio” “Você odeia ele? Por que?”

“Eu a amo”

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