Para quem imagina demais.

Há alguns anos, luto contra uma tristeza que parece não me deixar. Não acredito ser depressão, nem algum transtorno. De certa forma, eu sei o motivo dela: Eu imagino demais.

Crescer imersa em livros e sob incentivos para as mais loucas fantasias foi o maior privilégio da minha vida, mas talvez seja minha cruz. O problema é que aprendi a imaginar ao mesmo tempo que descobri para que máscaras serviam. E as usei por muito tempo, e aos poucos elas foram impedindo a alegria de iluminar tudo o que eu imaginava. De qualquer pedaço de realidade que me toca, imagino algo além daquilo. E esse “algo”, por muito tempo, foi ruim. Maldade, mentiras, terror, todos sempre ali, atormentando a minha mente que ainda possuía alguns jardins sobreviventes.

As tragédias me perseguem onde eu vá, seja dentro da minha mente ou diante de meus olhos, e eu, enquanto eterna criança, não sei como reagir senão cobrindo os olhos ou tapando os ouvidos com um “la la la” para não aceitar o que tem ali. Sei que não foi a atitude que se espera de uma garota na minha idade, uma jovem adulta, mas prefiro nem pensar nisso. Me orgulho de não deixar o mundo me mudar –  afinal, nem sei se pertenço a ele de qualquer forma – e mantenho meus devaneios longos e numa frequência similar a respiração.

Além de toda essa crueldade, me pego pensando: “Será que um dia vou conseguir ver e sentir toda a beleza que há por aí?” – Não apenas nos lugares. Nas pessoas, nos animais, nas coincidências (se você acredita nelas), e, principalmente, na inocência.

Porém, mais uma coisa me tormenta: eu não sou apenas imaginativa. Sou romântica. Procuro aquela pessoa com quem possa compartilhar um pouco desse mundo louco que criei para mim. Meu medo surge ao ver que inocência, ingenuidade e espontaneidade não parecem conquistar ninguém hoje em dia. Parece mais um convite á gozação.

Mas agora estou num estado em que simplesmente não me importo. Vou dançar como se ninguém estivesse olhando ainda que o mundo inteiro olhe. Vou lhe contar meus sonhos absurdos se assim o quiser – e se você desejar ouvir. Não vou me envergonhar de chorar perto de ninguém, mas também não me envergonharei de dizer que a beleza de cada galho de árvore chega pra mim como se fosse de outro mundo. Pois assim é.  E quem se importa de continuar sendo?

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