Imaginativos Suicidas Anônimos

Eu sou viciada em imaginar.

Acho que nunca tive escolha, na verdade: as realidades que invento sempre foram uma distração daquela diante de meus olhos. Uma fuga. Mas do que eu fujo? Das responsabilidades. Do tédio. Da monotonia. Da tristeza. Da ignorância. Da falta de importância que eu tenho e da falta de alegria que eu sofro. Do vazio dentro de mim que foi deixado por um criminoso sem rosto, sem nome, sem voz e sem sombra.

Essa falta de apego a vida faz eu me sentir culpada, com mais medo e triste. Eu não quero as coisas assim, mas não sei como mudá-las.

Monstros e fantasmas me assombram em tudo o que faço, planejo, possuo ou me dedico. Até aqueles que eu gosto. Eu tenho uma grande vontade de amar, mas não sei porque, não consigo. Ainda que o amor seja como um balão que se enche morna e lentamente dentro da gente, eu me sinto absurdamente só e vazia. Cada dia duvido de mais coisas. E tenho mais certeza de outras.

Por exemplo, não duvido que um mínimo de insanidade exista em mim. Tenho medo da minha mente. Tenho certeza de que nada nesse mundo possa me satisfazer completamente – corpórea e espiritualmente (ainda que, no fundo, eu deseje estar errada). Existe beleza em todo lugar, e eu queria viver apenas para contemplá-la, mas não consigo. Queria vê-la em mim, mas não consigo. Queria não ter tanto medo, avareza, desconfiança, amargura em mim. Mas tenho. Não queria estar tão ansiosa pela minha morte para tudo que me cerca.

Mas estou.

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