Difíceis Tempos

Época excitante a que vivemos. E é realmente incrível tudo aquilo que a inventividade humana conseguiu alcançar. E você já deve ter lido esse início de texto em algum outro lugar, justo para servir de contraponto a algo posteriormente apresentado. E é isso mesmo.

Somos seres privativos. Gostamos imensamente do que é nosso e de termos o nosso universo particular, a seara de proteção de cada um, onde todos os interesses próprios são voltados a determinados fins. Seja uma mãe que vai fazer de tudo para conseguir o maior bem-estar do filho, seja o empresário visando o lucro da sua empresa ou até mesmo o eleitor que vota enxergando o que acredita ser melhor para o seu país. Até o presente momento, problema nenhum. Pelo menos em um primeiro olhar.

Em uma segunda vista -essa sim a definidora, já que sempre você olha uma segunda vez para aquilo que lhe desperta a atenção- essa atitude carrega consequências inadmiráveis. Inicialmente, quando levado ao extremo, o foco em seu próprio e único benefício gera uma cegueira branca onde os seus ganhos são a única coisa que importa. Se já somos seres privativos, nada mais que licença poética desse autor para não dizer egoísticos, o que dirá de uma sociedade baseada em indivíduos que só buscam exclusivamente vantagens pessoais?

O caos, eu diria.

E o segundo aspecto, onde realmente quero chegar – pois o primeiro é genuinamente chato -, é mais interessante e advém do anterior. Criamos, com essas atitudes, uma leva de pessoas desconfiadas. Não que ninguém confie em mais ninguém. Afinal de contas, quando abandono o carro aos cuidados do flanelinha, que eu tenho certeza que vai dormir assim que eu dobrar a esquina, em uma rua praticamente deserta, eu ainda acredito que ele não será roubado. Mas é uma preocupação que vai além disso.

Pois esse receio atinge imensamente o campo emocional. Não é fácil entregar-se por completo com a grande possibilidade de ser trocado ao intervalo de uma batida do coração (torna-se simples compreender o porquê de tantas pessoas com problemas cardíacos atualmente). Portanto, nos protegemos. Os tímpanos choram de tanto que ouve-se reclamar de alguém que foi traído ou que não consegue alguém para um compromisso. Nada surpreendente, há de se admitir.

Somos uma geração de amor fast (junk)-food:

a) Decidiu o que quer – definiu os filtros e elaborou o perfil;

b) Fez o pedido – ativou a busca;

c) Recebeu a encomenda – deu match;

d) Comeu (sem necessidade de comparativos nesse ponto);

e) Jogou o resto fora (vide a segunda parte da letra anterior).

Pouco surpreendente o que resulta desse tipo de situação. Além de desconfiadas, uma rede de pessoas parcas de esperanças e repletas de insatisfação.

Porém (e sempre há um). Não há necessidade de desesperos.

Eventualmente isso há de cair por terra. Não de uma única vez e para todos. Mas singular e lentamente. A qualquer instante acaba-se percebendo que nem só pulando de cama em cama se satisfaz um coração.

Afinal de contas, somos muito mais que uma foto bonita que pode ser jogada para um lado ou para o outro. Somos impassíveis de padronização e de simples descarte.

A dificuldade de crer no outro é plenamente aceitável. Só não pode levar a um desacreditamento geral. A existência não faz sentido sem riscos. Despir-se de suas máscaras e revelar-se por inteiro a alguém faz parte do jogo. E se não sabe brincar não desce pro play.

E graças a Deus há quem prefira uma refeição saudável feita em casa ao invés de um drive-thru.

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