A Maria com quem eu fui.

Sempre achei Maria um nome meio fraco.

Acredite se quiser, só “Maria” sempre me foi muito genérico, tendo perdido o sentido de homenagem há séculos. Mas depois da Maria Luisa, isso mudou. Essa Maria não é em tons pastéis. É a Maria do cabelo castanho, da boca vermelha e da alça preta do sutiã aparecendo – e se isso for por descuido, o é com os outros, que se hipnotizam nela. Parece até meio injusto, essa pele branca reluzindo como o sol, atraindo até a alma mais forte como um simples mosquitinho pra luz.

Se não te cuidares, ela passa como um vendaval e nem sentes. Tem que ter pique, tem que saber conversar, tem que saber acompanhar. Tem que saber se importar, porque pra ela, o mundo importa. Tem que saber que, por mais que tentes olhar no fundo daqueles olhos, vais terminar sabendo nada se ela assim o quiser. No meu dicionário, a primeira definição pra “dona de si” é ela. Se bobear, acabou sendo dona de mim também: com ela eu vou no inferno e volto – e vai continuar que foi bom como viagem de carnaval.

Ela quer saber de ti. Ela quer saber do mundo, do que tá acontecendo. E não quer nem saber do resto. Sinto que ela sabe de tudo, quando na verdade, ás vezes me olha com algumas lágrimas nos olhos, ainda que não estejam aparentes, e me lembra que continuamos perdidas no meio de milhares de luzes que cegam os descuidados – sendo que nem sabemos como fomos parar ali.

É, Malu. A gente tá meio perdida, talvez. Mas vamo, que, juntas, vamos bem.

(continua.)

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